
Comer, rezar, amar é um livro tão bacana, tão bacana que eu considero leitura obrigatória; é um livro pra quem vai e pra quem fica.
E por que eu digo isso? Porque depois de passar por um divórcio longo e dolorido, de sofrer uma avassaladora decepção amorosa e praticamente chegar ao fundo do poço (ou como bem descreveu a autora, “chorando ajoelhada no piso do banheiro”), Elizabeth Gilbert pegou o dinheiro que conseguiu com a venda (antecipada) dos direitos deste mesmo livro e viajou por um ano para três países diferentes, experimentando novas e diversificadas vivências, conhecendo pessoas, culturas e lugares distintos. Basicamente, Liz escolheu um roteiro onde pudesse aprender a comer, rezar e amar.
O livro é contado em 108 mini-contos que referem-se às 108 contas do japa mala, uma espécie de terço indiano usado pelos devotos na prática da meditação. Esses 108 contos estão subdivididos em 3 partes que referem-se aos 3 países visitados na empreitada: Itália – onde Liz aprende a entregar-se aos prazeres do paladar -, Índia – onde se aprofunda na arte da meditação e busca interior -, e Indonésia, para onde vai com a intenção original de juntar-se a um guru que “previu” seu retorno a Bali na primeira em que ela visitou a ilha, mas onde acaba encontrando a possibilidade de redescobrir o amor.
Comer, rezar, amar tem, sim, um quê de livro de auto-ajuda, mas como a autora escreve com propriedade e simplicidade incomuns, parece que estamos escutando o relato de algum conhecido ou lendo o diário de uma amiga. O texto é leve, fácil, sedutor e amarra o leitor do início ao fim. Liz escreve sem medo ou sem pudores e aí tenho que fazer um adendo: a tradutora foi muito feliz em seu trabalho. Ao contrário com que aconteceu com quem traduziu O físico, de Noah Gordon, Fernanda Abreu conseguiu captar a essência do texto e soube passar, creio que praticamente ipsis literis, todas as percepções da narradora para o leitor. Esse trabalho foi tão bem feito, tanto pela própria autora, como pela tradutora, que fluímos pelo textos, pelos assuntos e pelas páginas como se tivéssemos estado em cada lugar visitado, bem ao lado de Liz Gilbert.
Esse é um livro que recomendo para pessoas de gêneros, idades, classes sociais e até mesmo perspectivas e planos diferentes. Quem tem vontade de jogar tudo para o alto e se aventurar por uma semana, um mês ou um ano por aí pra dar uma mudada na rotina, deve ler. E quem está feliz, satisfeito com a vida, com o lugar em que está ou com a situação em que vive, vale a pena ler até mesmo para perceber como foi a experiência e alguém que arriscou tudo e colocou o pé na estrada.
Eu mesma segui um pouco do exemplo da autora. Não tanto por influência deComer, rezar, amar nesse momento especificamente, mas em determinados períodos da minha vida, refleti bastante sobre o que seria mudar mais uma vez (morei 2 anos fora da minha cidade natal e mais 2 anos no exterior) de cidade, de país, de cultura e das consequências prováveis - e improváveis – de optar por rumos diferentes para escrever minha própria história. Todo mundo que tem ou teve – e todo mundo já experimentou esse sentimento, vai se identificar instantaneamente com o livro.
Falando nisso, e bem a propósito, aproveito para pedir mais uma vez, desculpa aos fiéis e pacientes leitores desse blog que está um pouco abandonado. É que, como Elizabeth Gilbert, também decidi mudar um pouco a vida e há quase 2 meses vim viver em La Plata, capital da província de Buenos Aires, na Argentina. Ficarei aqui por um bom tempo, já que estou fazendo um mestrado em Marketing Internacional (este, entretanto, é tema para outros posts e outro blog, o “palavras portenhas”). Mas isso não quer dizer que o Palavras Oportunas vá morrer ou que somente autores argentinos vão entrar no ranking: continuo seguindo a lista proposta e outros livros já estão a caminho. Dessa vez, sem tanta demora.



