10.6.09

comer, rezar, amar

Comer, rezar, amar é um livro tão bacana, tão bacana que eu considero leitura obrigatória; é um livro pra quem vai e pra quem fica.

E por que eu digo isso? Porque depois de passar por um divórcio longo e dolorido, de sofrer uma avassaladora decepção amorosa e praticamente chegar ao fundo do poço (ou como bem descreveu a autora, “chorando ajoelhada no piso do banheiro”), Elizabeth Gilbert pegou o dinheiro que conseguiu com a venda (antecipada) dos direitos deste mesmo livro e viajou por um ano para três países diferentes, experimentando novas e diversificadas vivências, conhecendo pessoas, culturas e lugares distintos. Basicamente, Liz escolheu um roteiro onde pudesse aprender a comer, rezar e amar.

O livro é contado em 108 mini-contos que referem-se às 108 contas do japa mala, uma espécie de terço indiano usado pelos devotos na prática da meditação. Esses 108 contos estão subdivididos em 3 partes que referem-se aos 3 países visitados na empreitada: Itália – onde Liz aprende a entregar-se aos prazeres do paladar -, Índia – onde se aprofunda na arte da meditação e busca interior -, e Indonésia, para onde vai com a intenção original de juntar-se a um guru que “previu” seu retorno a Bali na primeira em que ela visitou a ilha, mas onde acaba encontrando a possibilidade de redescobrir o amor.

Comer, rezar, amar tem, sim, um quê de livro de auto-ajuda, mas como a autora escreve com propriedade e simplicidade incomuns, parece que estamos escutando o relato de algum conhecido ou lendo o diário de uma amiga. O texto é leve, fácil, sedutor e amarra o leitor do início ao fim. Liz escreve sem medo ou sem pudores e aí tenho que fazer um adendo: a tradutora foi muito feliz em seu trabalho. Ao contrário com que aconteceu com quem traduziu O físico, de Noah Gordon, Fernanda Abreu conseguiu captar a essência do texto e soube passar, creio que praticamente ipsis literis, todas as percepções da narradora para o leitor. Esse trabalho foi tão bem feito, tanto pela própria autora, como pela tradutora, que fluímos pelo textos, pelos assuntos e pelas páginas como se tivéssemos estado em cada lugar visitado, bem ao lado de Liz Gilbert.

Esse é um livro que recomendo para pessoas de gêneros, idades, classes sociais e até mesmo perspectivas e planos diferentes. Quem tem vontade de jogar tudo para o alto e se aventurar por uma semana, um mês ou um ano por aí pra dar uma mudada na rotina, deve ler. E quem está feliz, satisfeito com a vida, com o lugar em que está ou com a situação em que vive, vale a pena ler até mesmo para perceber como foi a experiência e alguém que arriscou tudo e colocou o pé na estrada.

Eu mesma segui um pouco do exemplo da autora. Não tanto por influência deComer, rezar, amar nesse momento especificamente, mas em determinados períodos da minha vida, refleti bastante sobre o que seria mudar mais uma vez (morei 2 anos fora da minha cidade natal e mais 2 anos no exterior) de cidade, de país, de cultura e das consequências prováveis - e improváveis – de optar por rumos diferentes para escrever minha própria história. Todo mundo que tem ou teve – e todo mundo já experimentou esse sentimento, vai se identificar instantaneamente com o livro.

Falando nisso, e bem a propósito, aproveito para pedir mais uma vez, desculpa aos fiéis e pacientes leitores desse blog que está um pouco abandonado. É que, como Elizabeth Gilbert, também decidi mudar um pouco a vida e há quase 2 meses vim viver em La Plata, capital da província de Buenos Aires, na Argentina. Ficarei aqui por um bom tempo, já que estou fazendo um mestrado em Marketing Internacional (este, entretanto, é tema para outros posts e outro blog, o “palavras portenhas”). Mas isso não quer dizer que o Palavras Oportunas vá morrer ou que somente autores argentinos vão entrar no ranking: continuo seguindo a lista proposta e outros livros já estão a caminho. Dessa vez, sem tanta demora.

* Comer, rezar, amar - Elizabeth Gilbert - Ed. Objetiva
Tradução: Fernanda Abreu

23.3.09

Aviso aos navegantes II

Caros leitores,
protelei ao máximo minha decisão de só postar quando tiver mesmo um post pronto sobre o próximo livro.
Só que estou há meses, como vocês podem perceber, agarrada na leitura de Codex 632. Aliás, tão agarrada que não consigo terminar e já até me perdi no assunto do qual o livro trata. Jurei que leria até o fim só para deixar meu testemunho do quanto o livro é moroso e... chato!! 
Enfim, passei para outro de leitura mais agradável - e rápida!. Me perdoem, mas prometo postar em breve.
Beijocas,
Yo.

31.1.09

Terra Sonâmbula

Em meio a tantos livros que tenho que ler e que estão atrasados, acabei atropelando a ordem pré-estabelecida e comecei a ler Terra Sonâmbula, do moçambicano Mia Couto. Quem me recomendou trabalha em uma das livrarias que frequento. Eu já sabia que os escritores africanos estavam em alta, mas nunca tinha lido nada de qualquer autor daquele continente.

Fiquei simplesmente encantada com Terra Sonâmbula, que narra a história do garoto Muidinga e do velho que toma conta dele desde sua quase morte, Tuahir. Em um país desolado pela guerra, os dois caminham pela savana seca e queimada em busca de um futuro incerto e, ao mesmo tempo, fugindo da morte. Andam sem rumo até encontrarem ônibus abandonado à beira da estrada, o qual fazem de abrigo. 

Próximo ao ônibus, veem o corpo de um rapaz junto ao qual acham cadernos escritos como se fossem diários. Muidinga é quem começa a ler a história de Kindzu, um jovem que sai de casa também em busca de um futuro como guerreiro naparama. E assim como Muidinga e Tuahir, o protagonista dos diários também foge da guerra, do espírito de seu pai que o perturba, da pobreza da vila onde mora, entre outras coisas.

Assim, a medida em que Terra Sonâmbula vai se aprofundando, as histórias de Muidinga, Tuahir e Kindzu, que antes caminham por linhas paralelas, acabam se misturando. A narração de Kindzu em seus cadernos envolve não somente o leitor, mas também o menino e o velho que acabam “incorporando” a fantasia descrita nos diários em seu próprio dia-a-dia. São contadas então 04 histórias: a do menino, a do velho, a do protagonista dos diários e uma quarta resultante do impacto dos escritos na vida de Muidinga e de Tuahir.

O mais interessante é que um livro que tem como pano de fundo a guerra e que poderia ser caracterizado como “triste” resultou em uma narrativa envolvente. Mia Couto escreve com delicadeza e poesia peculiares e por mais que o leitor esteja em contato com a miséria e o desencanto ao qual os personagens estão sujeitos o tempo todo – parece que podemos vivenciar as experiências de Muidinga, Tuahir e Kindzu com eles –, ao final de cada página conseguimos observar uma pitada de sonho e de esperança que o autor imprime em sua história.

Em Terra Sonâmbula encontramos alegria e tristeza, amor real e imaginário, romance, amizade, sofrimento, sonho, medo. Recomendo a leitura pelo modo como a história é narrada, pela poesia do texto e mais ainda porque o livro trata de diversos temas, sentimentos e situações a que todo ser humano está sujeito, seja em tempos de guerra ou até mesmo em épocas de paz; em períodos de nossa vida de criança ou ainda como adultos.

A única observação que devo fazer aqui é com relação à língua. Confesso que quando li A fórmula de Deus, não estranhei tanto o português de Portugal. Já o português de Moçambique – Mia Couto é moçambicano - é definitivamente diferente e fiquei em dúvida ao me deparar com diversas palavras desconhecidas. Mas nada que o Google não resolva ou que impeça a compreensão total do texto.

* Terra Sonâmbula - Mia Couto - Companhia das Letras

8.1.09

Lua Nova

Lua Nova é o segundo dos quatro livros de Stephenie Meyer e dá continuação a história de amor entre a humana Bella Swan e o vampiro Edward Cullen descrita em Crepúsculo. Ao contrário de seu predecessor, que li e reli em menos de 24 horas, Lua Nova já não me chamou tanta atenção e acredito que isso se deva ao fato de que os capítulos iniciais sejam um pouco cansativos, o que não ocorre com o primeiro da série, que envolve o leitor ao longo da narrativa.

Quem leu Crepúsculo, ou foi ao cinema assistir ao filme**, já sabe que o romance entre os dois protagonistas é permeado por bastante aventura e perigo do começo ao fim. Em Lua Nova, por questões de segurança Edward resolve então se afastar de Bella, o que resulta em muitas e muitas páginas de lamentos e choros da adolescente apaixonada e recém abandonada. Agora me conte: quem aguenta adolescente choroso por tanto tempo? Você não? Nem eu!!

Mas se o leitor conseguir passar pela fase ruim da protagonista, vai acabar descobrindo um lado eletrizante, intrigante e interessante de Lua Nova. Afinal, Edward se afasta da amada para proteger ambas as partes (Bella e seu pai e os Cullen, claro.), mas isso não significa que Bella fique imune aos perigos e confusões. Ao contrário, parece que agora é ela quem procura se arriscar o tempo todo. Além disso, a nova etapa do livro tem início com a aproximação entre nossa heroína e um antigo amigo de sua família, Jacob Black, cujos antepassados eram os quileutes - uma tribo indígena que tinha como inimigos ninguém mais, ninguém menos do que os vampiros que habitavam a região de Forks.

É aí então que precisamos dar a mão à palmatória: Sthephenie Meyer realmente soube amarrar perfeitamente a saga que funciona como pano de fundo para o desenrolar do romance entre Bella e Edward, misturando um pouco de história, lendas, mitos e fantasia. A diferença fica ainda por conta de Jacob, personagem que ganha destaque na trama; e de Edward que, ainda não estando "fisicamente" junto a Bella no desenrolar dos fatos, aparece de um jeito ou de outro da primeira à última página. Ao final de Lua Nova, todos esses fatores somados fazem com que o leitor fique com gostinho de quero mais, assim como acontece em Crepúsculo. Para saber como vai caminhar o triângulo entre Bella, Edward e Jacob vale esperar por Eclipse, o terceiro da série, que será lançado no Brasil até final de janeiro.

* Lua Nova - Stephenie Meyer - Ed. Intrínseca
Tradução: Rita Vinagre

** Sobre o filme Crepúsculo, confesso que esperava mais. Achei um pouco cansativo, com uma trilha sonora pesada e a falta de um ator de peso faz a diferença, sinceramente. Vale a pena ir ao cinema para que o leitor tenha uma referência visual dos personagens ao ler os livros e - claro! - vale pelo ator que vive Robert Pattinson - que faz o papel de Edward Cullen -, o Cedrico Diggory de Harry Potter, que está mais bonito do que nunca.

22.12.08

Aviso aos navegantes

Olá leitores!
Quero pedir desculpas pela falta de atualização no Palavras Oportunas. Estou agarrada com 04 livros ao mesmo tempo e na loucura de final de ano, fechamento de semestre, enfim... Coisas do dia-a-dia.
Para 2009 quero escrever sobre um livro a cada 02 semanas, uma média de 24 posts por ano. Espero conseguir agradar a todos e que as indicações sirvam de guia para uma excelente leitura.
No mais, boas festas e um excelente 2009 para todos!